20 junho 2010
01 junho 2010
Dia Mundial da Criança... para quando "domingo no mundo"* para todas as crianças?
13 abril 2010
As Investigações de Uma Gata Tigrada!
12 abril 2010
À Procura do Mealheiro
A lição do Vítor ao mundo adulto é exactamente essa capacidade de ir ao encontro dos mealheiros, interiores ou exteriores, ou seja, ir ao encontro da vida, (re)considerando soluções práticas para problemas concretos e mobilizando para o terreno da prática a tantas vezes vã solidariedade.
Talvez facilite um mergulho no baú infantil, esse mesmo onde pairam legos, puzzles, bonecas, carrinhos e, onde era possível ser quem não se é, para reabilitarmos essas capacidades empreendedoras e de (re)conexão das peças que aversas nos surgem avulsas…
Caucau
País - Um menino de 9 anos recorda a tragédia da Madeira de forma muito especial - RTP Noticias, Vídeo
21 março 2010
Poesia com Primavera de Esperança

Foto: Natal, 2004 - Caucau
Se Tu Fores Ver o Mar (Rosalinda)
Rosalinda
se tu fores à praia
se tu fores ver o mar
cuidado não te descaia
o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar
a branca areia de ontem
está cheiinha de alcatrão
as dunas de vento batidas
são de plástico e carvão
e cheiram mal como avenidas
vieram para aqui fugidas
a lama a putrefacção
as aves já voam feridas
e outras caem ao chão
Mas na verdade Rosalinda
nas fábricas que ali vês
o operário respira ainda
envenenado a desmaiar
o que mais há desta aridez
pois os que mandam no mundo
só vivem querendo ganhar
mesmo matando aquele
que morrendo vive a trabalhar
tem cuidado...
Rosalinda
se tu fores à praia
se tu fores ver o mar
cuidado não te descaia
o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar
Em Ferrel lá p´ra Peniche
vão fazer uma central
que para alguns é nuclear
mas para muitos é mortal
os peixes hão-de vir à mão
um doente outro sem vida
não tem vida o pescador
morre o sável e o salmão
isto é civilização
assim falou um senhor
tem cuidado
Fausto Bordalo Pinheiro
10 março 2010
Regresso...com ternura!
Willy Ronis, The Little Parisian
um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,
acordarei entre os teus braços. a tua pele será talvez demasiado bela.
e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for
tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada
de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da
nossa janela. sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso
será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi
nem uma palavra, nem o príncipio de uma palavra, para não estragar
a perfeição da felicidade.
A criança em ruínas
15 maio 2007
03 maio 2007
25 abril 2007
LETRA PARA UM HINO

É possível falar sem um nó na garganta.
É possível amar sem que venham proibir.
É possível correr sem que seja a fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.
É possível andar sem olhar para o chão.
É possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros.
Se te apetece dizer não, grita comigo: não!
É possível viver de outro modo.
É possível transformar em arma a tua mão.
É possível viver o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.
Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre, livre, livre.
Manuel Alegre, O Canto e as Armas
23 abril 2007
Os Sorrisos de Fadas e de Príncipes
Na televisão, uma jornalista interpelava uma criança, que contaria não mais do que uns ternurentos 6 anos, sobre o amor:- Porquê?
- Porque fica assim com os olhos brilhantes, parece que é uma fada!"
Tenhamos nós, adultos, o dom de ressuscitar estas fadas e príncipes encantados e talvez a felicidade...simplesmente aconteça. Com sorrisos de fadas e de príncipes, que não encantados, mas sim desencantados de dentro de cada um de nós!
Caucau
21 abril 2007
Dancemos e encantemo-nos...

A graciosidade das danças fizeram-me voar sem sair da cadeira do auditório, repleto de familiares orgulhosos (e ruidosos) pelos feitos dos seus rebentos.
Como sonhadora, fixei-me nas histórias de encantar!
Caucau
18 abril 2007
18 março 2007
Cativar para enlaçar

É uma coisa de que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. - Quer dizer «criar laços»...
Criar laços?
Sim, laços - disse a raposa. - Ora vê: por enquanto tu não és para mim senão um rapazinho perfeitamente igual a cem mil outros rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto eu não sou para ti senão uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E eu também passo a ser única no mundo para ti...
(...)Só conhecemos o que cativamos - disse a raposa. - Os homens deixaram de ter tempo para conhecer o que quer que seja. Compram as coisas já feitas aos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens deixaram de ter amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
E tenho que fazer o quê? - disse o princepezinho.
Tens de ter muita paciência. Primeiro, sentas-te longe de mim, assim, na relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas podes-te sentar cada dia um bocadinho mais perto..."
in "O Princepezinho", Antoine de Saint-Exupéry
22 fevereiro 2007
Sabes... talvez fusão?!
Sabes quando duas coisas se unem, mas conservam a sua identidade pessoal, reforçando-a?
Sabes quando não identificas onde começas tu e acaba o outro e vice-versa, e isso não te despersonaliza, só te torna mais completo?
Sabes quando as tuas alegrias reforçam as minhas?
Sabes quando as tuas mágoas e agonias me colocam no caminho de contigo engendrar soluções para as converter positivamente?
Sabes quando o teu silêncio é também sinal sonoro?
Sabes quando o sentir-te escusa palavras?
Sabes quando sintonizo o que sentes e pensas, diria, quando telepaticamente comunicamos?
Sabes quando a imensidão do afecto ultrapassa a barreira do teu corpo físico?
Sabes quando não precisas de nada para teres mesmo tudo?
Sabes quando fazemos das banalidades quotidianas coisas deveras especiais?
Sabes quando partilhar é expressão do dia-a-dia?
Sabes quando a interdependência surge como mais valia?
Sabes quando os teus sorrisos rasgados me enchem a alma?
Sabes quando o respeito não é exigido mas se torna devido?
Sabes quando a tua luz me ilumina?
Sabes quando a confiança acontece?
Sabes, talvez possamos chamar-lhe fusão?!...
Caucau
07 fevereiro 2007
(Um) Caminho...

in Siddartha, Hermann Hesse
05 fevereiro 2007
À Sorte!
03 fevereiro 2007
Sempre Elis!

Tinha uns 19 anos quando pela primeira vez escutei a mestria da sua voz. A sensação foi de arrepio.
A união da virtuosidade técnica à expressão, sublime, dos sentimentos, soaram-me a magia. Não se explica, sente-se.
A emoção, a energia, a ira, a revolta, o sarcasmo, a sátira, a liberdade, a inteligência, a sensualidade, o doce disfarçado de amargo apresentaram-ma como uma "força da Natureza".
A lucidez de uma mulher, de uma artista, que tão incomodamente aproveitava as inúmeras entrevistas para trazer à ribalta os atropelos sobre os Direitos Humanos, ainda hoje tão presentes, no país que a viu nascer.
Ontem, hoje e sempre o meu ouvido e a minha alma continuam a solicitá-la, devotamente!
Caucau
"Ela é uma mutante confessa:
Eu sou meio mutante mesmo, mas antes eu me sentia um pouco perdida. Aquilo que eu estava fazendo não combinava com o tipo de música que eu estava querendo cantar. Aquele negócio de você ver o capim crescer na sua casa sem tomar providência nenhuma. Um dia você se dá conta e o capim já virou mato e aí você sente que está emaranhada nele. Então tem que cortar o mato. É difícil mas é bom porque você se deu conta, entende? (Zero Hora/ 1974)
Uma permanente pesquisadora:
Aprendi que a vida é feita de dois lados. Você precisa conhecer o lado torto para conhecer o lado bonito. Então, nesse sentido, todas as experiências pelas quais nós passamos são absolutamente válidas (O Globo/76)
Uma criatura preocupada:
De excelentes cantoras o Brasil e o mundo andam cheios. A mim não me interessa ser uma boa cantora a mais. Quero o usar o dom que a Mãe Natureza me deu pra diminuir, com ele, a angústia de alguém. Essa idéia é que pode dar sentido ao meu trabalho. E é por isso que cultivo essa idéia com carinho, todo dia (Correio do Povo/ 75)
Uma grande amiga:
Eu só acredito em trabalho em conjunto e sou do tempo em que os grupos se reuniam. E minha maior preocupação era realmente fazer com que meu grupo fizesse por onde merecer esse nome (Última Hora/76)
Uma pessoa de fé:
Quero sofrer tudo até a última gota, quero tudo a que tenho direito – as coisas boas e ruins – e não pretendo deixar nada pra ninguém (Jornal do Brasil/ 76)"
23 janeiro 2007
Eles não se entendem mesmo!

"Sabes, eles não se entendem. Andam há um ano no Tribunal a lutar pelo meu poder paternal. Imagina, já mudaram de advogados três vezes. Não se entendem mesmo!"
Carolina, 6 anos (nome fictício)
Enquanto "eles não se entendem", as crianças parecem ter que continuar a entende-los, precocemente demais, por imposição de uma Justiça que continua longe de defender os seus superiores interesses. Uma Justiça que ainda os apelida de "menores", negando-lhes demasiadas vezes o ser criança, enquanto sujeito de direitos e deveres. Negando-os como cidadãos e elegendo-os a troféu deste esgrimir de nadas face a seres que podem ainda ser tudo! Coloquemo-nos de cócoras, escutemo-los, sejamos capazes de compreender tudo o que os seus sorrisos, ou a ausência deles, encerram. Talvez assim haja "domingo no mundo"e eles finalmente entendam que os filhos não são feudos!
Caucau
17 janeiro 2007
Não à Manipulação das Emoções!

Há 9 anos atrás, encetando a vintena da vida, votei no referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez.
Para mim, o direito ao voto sempre assumiu o sentido de dever de participação e de responsabilidade cívica. Além de que, reportando-me à história político-social portuguesa, este direito, para as mulheres, representa um marco nas lutas feministas contra a discriminação entre sexos, contra a inferioridade da mulher.
Mas, encerrando o parêntesis histórico, e regressando à reflexão sobre o aborto, ou assepticamente denominado “interrupção voluntária da gravidez”, devo dizer que este era um tema de conversa frequente nas animadas tardes passadas no “bar do Geninho”, a par de tantas outras discussões tão efusivas quanto construtoras de uma consciência social, sobre a pena de morte, a eutanásia, a despenalização da utilização de drogas, a adopção…sobre a(s) vida(s)!
Na época, estudante de Serviço Social, activa e muito revolucionária no que respeita aos direitos humanos, esta era uma questão que me suscitava particular interesse, apelava à minha condição de mulher, de cidadã, de activista pelos direitos humanos e enquadrava-se no compromisso há muito assumido em prol da justiça social. Hoje, exercendo uma profissão desde a sua génese comprometida com os direitos humanos e de matrimónio indissolúvel com a justiça social, ainda que menos revolucionária(!), o destaque que o tema reclama é o mesmo, infelizmente!
O aborto clandestino continua a existir! Para umas tantas mulheres, realizado em sofisticadas clínicas, maioritariamente sediadas em terras espanholas. As “outras”, a quem quotidianamente escuto as vidas, demasiadas vezes, espartilhadas, fazem-no clandestinamente num “vão de escadas”, por habilidosos sem escrúpulos e, empenham-se aos vizinhos e familiares mais afortunados para o poderem pagar. Não raras vezes ficam com sequelas para a vida - infertilidade e morbilidade- quando esta não lhes é ceifada.
Deste modo, entendo que votar sim neste referendo não é um não à vida, é sim um grito contra o aborto clandestino enquanto problema de saúde pública, contra as perseguições, os julgamentos, a hipocrisia e o fundamentalismo.
O sim encerra em si a responsabilidade pública da defesa e promoção de um investimento efectivo:
- na educação sexual nas escolas (a começar pelos Jardins de Infância), diria mesmo, na educação no seu sentido mais lato;
- no Sistema Nacional de Saúde, facultando a acessibilidade a consultas de saúde sexual e reprodutiva, em tempo útil e de qualidade, e mantendo a gratuidade na disponibilização de métodos contraceptivos;
- na não discriminação entre as mulheres, independentemente do meio sócio-económico do qual provêem;
- na igualdade de oportunidades entre géneros;
- numa política social de apoio às famílias.
A questão do aborto ultrapassa qualquer ideologia política e qualquer crença religiosa, é uma questão de humanidade, de cidadania e de democracia.
Em 1998 disse sim à dignidade e à justiça, recusando todo o fundamentalismo expresso nas campanhas (des)informativas, volvidos 9 anos, reiterarei o sim a uma dignidade e justiça que têm vindo a ser adiadas neste país!
Caucau
15 janeiro 2007
O Direito à Defesa...

- o tempo é finito, logo há que saber rentabilizá-lo;
- a energia tem limites, logo há que canalizá-la eficientemente;
- a construção faz-se na interacção com o(s) outro(s), logo faz-se na vida "real";
- os sentimentos exprimem-se, mas o seu sentido mais amplo decorre da experimentação;
- os afectos requerem todos os sentidos, aqui alguns estão-me vedados;
- o meu único compromisso é ser feliz ... e os blogs sabem esperar, de resto, os amigos também!









